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Batalha dos Guararapes

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Sejam bem-vindos ao santuário e berço da nacionalidade e do Exército Brasileiro.

Vocês são privilegiados pois, aqui, terão a oportunidade de ver e conhecer o local e os fatos que passaram à história como o inquestionável marco a partir do qual se desenvolveu o embrião do sentimento de nação nesta terra brasileira.

Nestes montes, brancos, negros e índios, irmanados por um só ideal, o de defender a pátria contra o invasor holandês, por duas vezes, derrotaram poderosa força de um exército muito superior em efetivo, em armamento e em equipamento.

Nós estamos no interior do Parque Histórico Nacional dos Guararapes, no município de Jaboatão dos Guararapes, mais precisamente no Mirante, no Morro do Oitizeiro, o qual se estende até o Oceano Atlântico. Entre a mata do Morro do Oitiozeiro e o alagadiço próximo ao mar, encontramos uma estreita passagem denominada de Boqueirão.

Na nossa frente está o Monte de Telégrafo.

À retaguarda destaca-se o Morro do Outeiro ou atual Morro da Igreja.

Entre o Monte do Telégrafo e o Morro do Outeiro, identificamos o Córrego da Batalha.

Além do Monte do Telégrafo, ligando a cidade do Recife aos Montes Guararapes, encontramos a Estrada da Batalha, a qual se dirige para o interior do Boqueirão.

Naquele ano de 1648, a única maneira que os holandeses conheciam para se chegar até a região do Cabo, vindo do Recife, era através da Estrada da Batalha, passando pelos Montes Guararapes. Se esses montes fossem ocupados pelos invasores, os Patriotas não teriam como receber suprimentos e reforços vindos da Bahia.

Por isso mesmo, o objetivo estratégico dos holandeses era ocupar os Montes Guararapes para cortar este acesso. Tudo parecia muito fácil e simples para Von Schkoppe, o comandante das tropas flamengas.

Os Patriotas, ao perceberem as intenções dos holandeses, se anteciparam. Realizaram uma marcha noturna forçada e chegaram primeiro nos Montes Guararapes.

O dispositivo das forças Patriotas comandadas por Francisco Barreto de Menezes era o seguinte: O flanco direito era protegido pelo terço (ou grupamento) do índio Felipe Camarão, oculto na restinga de mato existente dentro dos alagados;     
    
      
O flanco esquerdo era protegido pelo terço (ou grupamento) do negro Henrique Dias, ocupando a parte central do Morro do Oitizeiro;

No centro, ocupando a parte baixa junto ao córrego da Batalha, entre o Oitizeiro e o Outeiro, o terço dos brancos comandados por Fernandes Vieira; e em reserva, mais a retaguarda, o terço de Vidal de Negreiros.

Antônio Dias Cardoso lançou um destacamento avançado pela Estrada da Batalha, composto por 200 a 300 homens e estabeleceu o contato com os holandeses. Passou a retardá-los, atraindo-os para o Boqueirão, fazendo-os pensar que estavam em contato com a principal força dos Patriotas. Mas era uma isca para atrair os holandeses.

O comando holandês , ignorando a real situação dos Patriotas, adotou o dispositivo de batalha. Seus elementos de frente, ou vanguarda, desdobraram-se no Monte do Telégrafo, estabelecendo contato com Henrique Dias. Sua Força principal, ou grosso, avançou para o Boqueirão e um Regimento foi lançado no flanco esquerdo, chafurdando-se no alagadiço.

Os Regimentos do Centro ficaram sem espaço e comprimiram-se em uma frente inferior a 100m, canalizados pelo Boqueirão. Seguiu-se grande confusão, que se somou à surpresa, por defrontarem-se com uma força dez vezes maior do que a esperada, composta dos terços de João Fernandes Vieira e André Vidal de Negreiros. Desorganizados, os holandeses debandaram para a retaguarda, sob forte pressão Patriota, sendo acolhidos pela reserva. O flanco esquerdo holandês, atolado nos alagados, foi destruído totalmente pelos índios de Felipe Camarão.

Houve surpresa também no flanco direito holandês, que não contava com a forte resistência apresentada pelo terço de Henrique Dias. Desarticulado, retraiu para recompor-se deixando parte da tralha no terreno, o que atraiu a cobiça dos Patriotas que guarneciam o Monte do Oitizeiro.

Ainda no flanco direito, o Regimento holandês de Van Der Branden, reforçado com a reserva holandesa, avançou, novamente, descendo o Monte do Telégrafo, pressionando a fraca posição de Henrique Dias e recalcando-o para o atual Morro da Igreja.

O Cel Van Der Branden conquistou o atual Morro da Igreja e já se reorganizava para prosseguir, quando recebeu a mensagem do Gen Schkoppe (Cmt das forças holandesas), informando que se encontrava ferido e determinando-lhe assumir o comando, reorganizar a tropa e retirar-se para o Recife.

Ao término da batalha, os holandeses haviam perdido 1.038 dos 4.500 combatentes, sendo 515 mortos e os Patriotas perderam 480 dos 2.200, dos quais 80 mortos.

Um ano depois, neste mesmo local, ocorreu a Segunda Batalha dos Guararapes, onde os holandeses foram literalmente destruídos pelos Patriotas, ficando enclausurados no Recife até 1654, quando ocorreu a rendição na Campina do Taborda.

Essas duas batalhas consagraram, de forma definitiva, o sítio dos GUARARAPES como o terço sagrado de nosso Exército e da nacionalidade brasileira.

O Exército Brasileiro escolheu o dia 19 de abril, data da 1ª Batalha, como o dia de seu aniversário.

Pesquisa histórica revela que a palavra PÁTRIA foi pela primeira vez, mencionada em terretório brasileiro no texto "Compromisso Imortal", relacionado com a invasão holandesa e assinado por 18 líderes locais em maio de 1645. Em homenagem a esses heróis, o Cmdo da 7ª Região Militar e 7ª Divisão de Exército instituiu a saudação PÁTRIA, com a resposta BRASIL, em maio de 1998, a qual foi estendida pelo Comando Militar do Nordeste para toda a sua área de jurisdição.

Trata-se de uma reverência diuturna àqueles que primeiro sentiram no peito pulsar o coração patriota, pulsar o Brasil. Mais do que uma homenagem, que seja uma renovação de compromisso.

 

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